Reflexo da lanterna que alumia o canto que canta

POESIA RIMA

Para falar da poesia
O poeta primeiro cala
Silencia, ouve e atina
vida, morte e alegoria
o sentir novos sentidos
trascendentes – Magia

Se só perscruta o mundo,
vai fundo – qual o rumo
além do seu, o da poesia?
Sente um pulsar latente,
uma voz dupla, fantasia?!
Curioso rastreia e pressente…

A resposta que vem é Poesia
presente toda hora todo dia!
Com ou sem rima não importa!
É um poder que o transporta
De mero mortal em sonhador.
Mágica voz que o conforta!

Quando poeta rima com poesia
A rima da poesia é o poeta
Livres, alternados, paralelos
versejam vidas em aquarelas
Clamam das notas a melodia:
- Uni versos, somos orquestra!

Ao romper o silêncio me exponho,

não sou mais eu, sou fermento!

Uso os meus pés, piso meu chão,

quero flores que plantei, rego canteiros

regurgito esperanças, alimento sonhos!

Sou dor, ferida aberta,  exposta…

E nela meu grito, meu brado de alerta!

Não fecho portões o mundo é meu teto.

Levanto estátuas, dou-lhes  santuários

Sou Vida e meu desafio é vencer a morte!

O que seria de mim com esse grito preso,

a raiva, a dor? Angústia,  agonia,  doença!

Recarrego a fé no facho aceso do meu credo

Enterro velhas mágoas, ergo as minhas asas,

faço novos pactos com o Senhor a quem rezo!

Serei novo soldado na luz desse horizonte

Erradicarei torturas escarnecerei a dor

Palmilharei caminhos de lúcida razão

Dissiparei sombras descruzarei braços

Encherei açudes, saciarei sedes, serei fonte!

Marilu Santana/05/07/2005

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